Escrita Cotidiana

costurando..

domingo, 22 de abril de 2012

Quando penso que vou cair, abro os braços e me equilibro outra vez, olho pra frente e vejo os olhos generosos da minha tia.

sábado, 17 de dezembro de 2011

As mãos trêmulas, cutucando o joelho, com as pernas dobradas na frente da barriga, o dorso encostado na parede, despentiada, a roupa já manjada, a cama bagunçada, mordia o lábio e observava a si mesmo, como se fosse um outro de fora que estivesse vendo, como uma platéia que assiste a uma cena.

Chorou.

Continuou no mesmo local, não conseguia sair dali, nem conseguia parar a tremura das mãos.. Sentiu medo de cristalizar todo aquele pensamento para um corpo eterno, despentiado, manjado, dobrado, cutucado, trêmulo.

Sentiu medo.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Um jovem acabou de ganhar um prêmio de destaque na sua formatura; o prêmio de melhor aluno nas relações inter-pessoais, atitude e boa conduta. Ele abraça o professor e agradece. Em seguida, acena em direção a arquibancada, compartilhando aquele momento, ao que parecia, com pessoas especiais! Um homem se levanta da arquibanca com os olhos fixos nele, ar de orgulhoso, com um sorriso no canto das orelhas. A mulher ao lado, sentada, acompanhava sem perder de vista nenhum passo do garoto; já a menininha que estava sentada ao lado da mulher, esta não se atrasou ao acenar, tinha a palma da mão aberta em direção ao pequeno grande homem desde que ele levantou de sua cadeira.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Nossa conversa fria, cheia de não entendimentos, de palavras pouco decifravéis.. mas não é exatamente isso que irrita na vida de uma pessoa, pois isso as vezes acontece, e pode até ser normal, as vezes pode também ser recorrente, mas passa.. peripécias da vida, aprende-se a conviver com elas. O que irrita e traz uma amargura ao coração é ter a sensação de que todas as relações andam assim.. o dito pelo não dito, e que diz muito da situação já explicitada, esfregada na cara alheia para quem quiser ver. Ora bolas, não seja tola! Vamos abanar a poeira do quarto e varrer o lixo para baixo do tapete, sem mais delongas ou sofrimentos. Coragem! É necessário ter coragem para passar bem a noite de natal; tradicionalmente como deve ser.. no outro dia pode estar tudo normal, sair e bater a porta, sem mais ressentimentos. É que para alguns um dia tradicional talvez alivie toda uma história, para outros alivie um momento, mas muito mais com cara de tentativa, e não como uma verdadeira satisfação de um bom momento vívido!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Chato como o tempo passa pela barra da minha saia, balança a saia sem nenhuma novidade, apenas faz coçar as pernas, sem nenhuma brilhante solução. Solução? Resposta? Tédio imenso de tudo isso. De querer, por querer.. que as coisas sejam de um modo. As vezes elas tem que ser como são, mesmo que isso não pareça, mesmo que nem deixe mais ou menos feliz o dia da gente. Me importo com tudo, mas não quero mais me importar. Vou ignorar a coceira das pernas e parar de pensar pra sanar a dor de cabeça. Chato como o tempo passa pela porta de casa, bate a porta, sem nenhuma grande novidade..

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Toque uma canção pra mim,
Não estou dormindo,
e não há lugar onde eu possa ir;

Na aguda manhã desafinada eu o seguirei...
Estou pronto para ir a qualquer lugar
estou pronto para desaparecer

Em minha própria parada,
moldando sua dança a meu caminho,
Eu prometo segui-la.

Estou pronto para ir a qualquer lugar,
Estou pronto para desaparecer

Bob Dylan

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Desculpe dizer sempre das mesmas coisas.. talvez o meu vocabulário já esteja previsível.
Mas é como quando se escuta a mesma e boa música de sempre.. e a gente goza com ela!
Não quero perder o frescor, apenas manter e descobrir o novo do sol que esta no céu há milênios; E que porventura continua encantando e despertando interresse dos olhares alheios.
Para quem sabe apreciar, o deleite é insubstituível.. assim como a lua, assim como as estrelas, assim como a beleza dos humanos, para quem sabe apreciar, é deleite!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Depois de entrar em estado vegetativo.. estado nulo, zero, a cabeça descansa, delira..
Para uma hora ou outra acordar de um sono profundo; Um cabeça descansada, pode encontrar outra alternativa que não seja somente a de subir e a de descer as tais escadas cotidianamente iguais.

sábado, 15 de outubro de 2011

Subir e descer a escada exige dos anos, mais esforço, somado a agilidade, e tendo como resultado a quantidade de vezes em que se desce e que se sobe.

Somente hoje foram onze vezes: subidas e descidas.

Teve momentos em que bateu uma vontade enorme de chorar e de sumir, mas olhava os degraus e contínuava, em outros instantes, uma força grande vinda não sei de onde, mas quase que desmontando sobre os próprios pés.

Um fôlego forçado, esbaforido, saindo forte pelas narinas, obrigando as costelas a trabalharem dobrado.. uma dor nos joelhos, uma dor nas costas, uma dor de estômago, novo velho fôlego, sempre igual.. Será que não possui outro jeito de não se embaraçar do mesmo jeito? Será que possui outra maneira de não rolar escada abaixo? Pra descer todo santo ajuda, mas pra subir o morro não se encontra nem um olhar generoso..

Se nos cortam os pés, a gente contínua a subir; se nos cortam os joelhos, a gente contínua, se nos cortam os coxas e o quadril, o braço ainda sustentará o tronco, se nos cortam o tronco e os braços, a cabeça ainda irá pensar em alguma alternativa, se nos impossibilitam de pensar, a gente rola escada abaixo e entra em estado vegetativo.

Subir e descer cada dia exige mais esforço e agilidade; isso ressalta o esqueleto, escurece os olhos, diminui o cérebro e consequentemente as sensações de saciedade, ou bem estar que poderiam existir.